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GANSOS

| Ganso | 19 de agosto de 2012

gansos

Nos antigos desenhos egípcios encontrados nas pirâmides (3.000 a 4.000 a.C) pode-se ver uma cozinha típica, onde eram preparados gansos.

Na Grécia (1.000 a.C) o ganso já era conhecido, porque Homero (950 a.C) fala na “ Odisseia) que Penélope, mulher de Ulisses tinha em sua casa 20 gansos.

Na Roma antiga havia criação de gansos no Capitólio, porque foram consagrados à deusa Juno. Esta elevada reputação aumentou na guerra dos Gauleses contra Roma (390 a.C) , quando os gansos, com o seu intuito de vigilância, deram alarme salvando assim o Capitólio da conquista pelos sitiadores.

Outros escritores romanos, como Plínio (2.000 a.C) já davam explicações sobre a criação e especialmente a engorda dos gansos.

Nesse tempo foram conduzidos grandes rebanhos de gansos da região do baixo Reno, hoje Bélgica e Holanda, pelos Alpes, para Roma onde foram engordados. Naquele tempo já se venderam as plumas finas por um alto preço.

A história fala que os romanos, quando ocuparam a Germânia foram aprendendo o valor das almofadas com plumas macias. O grande Imperador Carlos Magno (800 d.C) emanava decretos (capitulários) ordenando que os empregados nas grandes fazendas do imperador precisavam ter sempre 30 gansas, e nas pequenas fazendas 12 gansas para recria. Além dos reprodutores precisavam sempre ter alguns gansos gordos para entregar na casa do imperador. Nas guerras e revoluções seguintes, quase todas as aves das fazendas ou dos pequenos sítios foram abatidas. Só alguns séculos depois recomeçou a criação, mas sempre em pequena escala.
Na Hungria, Polônia e Rússia a criação de gansos sempre foi um pouco maior. Foram vendidos para especialistas de engorda na Alemanha, que tinham espaço para grandes criações, chegando a 10.000 gansos. No começo de novembro começava a matança para o dia de Martinius e depois para o Natal, tradição mantida até hoje.

Algumas variedades de gansos são migratórias. A espécie precursora da doméstica é o Anser L., originária do Norte da Ásia e Europa. A domesticação foi tão bem sucedida que a ave, na China antiga era enviada pelos homens para suas amadas como objeto de sedução. Hoje transformou-se em símbolo, por excelência, da fidelidade conjugal, embora os gansos não sejam monogâmicos.

Do ganso tudo se aproveita. Sua carne é saborosa e compete com a de peru nos banquetes europeus, principalmente nos alemães, sendo um pouco mais fibrosa do que a carne de frango.

Existem cerca de doze raças de gansos domésticos. No Brasil as mais criadas são o Chinês Branco e o Chinês Pardo, apelidados de Sinaleiros (dão sinal, alarme, a qualquer movimento estranho). Existem poucos exemplares dos tipos Sebastopool, apelidado de frizado, há poucos exemplares também da variedade Egípcio, Africano, Toulouse, Embdem, nas mãos de colecionadores e preservadores de raças puras.

Na criação de gansos em cativeiro, é necessário um cercado comum com comedouros, bem como um tanquinho de água, onde os gansos possam se banhar e beber água, pois embora possam ser criados em lugares secos, a prática mostra que fertilidade dos ovos é maior quando a fecundação (acasalamento) ocorre na água.

O cercado onde ficam os gansos deve ter uma parte seca e ensolarada , condição indispensável para que as aves não contraiam doenças decorrentes de excesso de umidade. Quanto aos ninhos, podem ser de madeira, alvenaria, balaios de palha e até mesmo pneus velhos com o centro recheados de palha, nem sempre porém a gansa escolhe os ninhos para postura de seus ovos, botando-os em qualquer lugar. Para estimular a gansa a botar sempre no ninho, deixa-se sempre um ovo no interior dele, que pode ser de imitação (madeira ou resina ou qualquer outro, esse método é conhecido popularmente como ovo indês.

A identificação dos sexos não é fácil na maioria das raças. Porém os gansos Chinês Branco e Chinês Pardo e Africanos, têm diferenças mais perceptíveis,pois o macho, quando adulto, possui uma saliência no alto da cabeça (carúncula) maior que a da fêmea e o porte mais ereto do que a fêmea.

De 8 a 9 meses de idade, tanto o macho quanto a fêmea de algumas variedades já estão prontos para o acasalamento.Quando se pretende aprimorar a criação, convém selecionar os melhores exemplares e realizar os acasalamentos na proporção de 1 macho para 2 fêmeas (terno) ou 1 macho para 3 fêmeas (quadra). Alguns criadores, por questões de economia acasalam 1 macho com até 6 fêmeas , mas o resultado é desastroso. O macho fica esgotado, o que resulta num baixo índice de fertilidade dos ovos.

As gansas geralmente põe dia sim, dia não e às vezes a cada dois dias e a produção é estável dos 2 aos 8 anos, quando começa a decair. As gansas não são muito aplicadas na choca, sendo normalmente substituídas por mães adotivas ou incubadoras artificiais. Uma perua consegue chocar até 13 ovos de uma vez, de gansa. Uma galinha choca de 3 a 5 ovos de gansa e uma pata 7 ovos. É só esperar a coincidência do período de choco das aves, este método é muito eficiente e apresenta uma eclosão de aproximadamente 60 a 80%. O uso de incubadoras artificiais (chocadeiras) apresenta um índice de eclosão em torno de 40%. No manuseio dos ovos, todo cuidado é pouco, os poros dilatadas facilitam a entrada de germes, o ovo deve ser limpo com um pano seco , com cuidado para que não seja retirada a fina película protetora que o envolve. Os ovos devem ser guardados em lugar seco e fresco, a uma temperatura de 22 graus C., pode ser uma caixa com areia seca, mantidos inclinados com a parte pontuda voltada para baixo. A parte mais bojuda tem uma câmara de oxigênio que não pode ser rompida, o que causaria a morte do embrião. Todos os dias muda-se a posição dos ovos, um dia eles ficam inclinados para um lado, no outro dia inclina-se para outro lado, evitando que a gema grude na casca e o embrião seja prejudicado. Os ovos devem ser guardados no máximo por 7 a 10 dias, passado esse período eles perdem o poder de germinação.

A eclosão leva de 28 a 30 dias, podendo se esperar até 32 dias. Os ovos que apresentarem defeitos, externos ou que ultrapassem 10 dias de armazenamento, devem ser dispensados da incubação podendo ser utilizados na culinária (bolos, pães, doces etc).

Com a eclosão dos ovos, os gansinhos vão para a criadeira onde permanecem por 20 a 30 dias, recebendo o calor necessário através de uma lâmpada, água limpa para beber (não para nadar), ração balanceada. Depois disso são transferidos para cercados com abrigo e dependendo das instalações, lá continuam, até a fase adulta, 8 a 9 meses de idade. Nesse período é conveniente separar as aves por tamanho e idade para evitar que umas pisem nas outras e se machuquem. A primeira refeição dos gansinhos é feita 24 horas após o seu nascimento. Durante os primeiros 20 a 30 dias em que permanecem em criadeira, os filhotes recebem uma alimentação à base de ração inicial de pintos, verdura bem picada (menos alface).

Quando os gansos são transferidos para cercados, a alimentação modifica-se , passa-se então a dar uma ração balanceada de crescimento e muita verdura. Legumes, frutas, cascas de frutas e legumes, pão seco e capim também podem enriquecer as refeições. A ração é indispensável na fase adulta, para ativar a postura, a partir dos 6 meses de idade deve-se dar ração de postura para as aves.

Em geral os gansos são aves rústicas que exigem poucos investimentos para sua criação, vivem bem ao ar livre e quando muito, basta abrigo rústico para os dias de chuva, frio intenso e sol forte.

Os gansos são aves elegantes e belíssimas, seu porte lembra o dos cisnes. Servem para corte e sua carne tem um sabor parecido com a carne de patos, são também criados como aves ornamentais, para aproveitamento de plumas e nos países europeus, os gansos são colocados nas roças de algodão onde funcionam como capinadores das ervas invasoras. Por sua mania de grasnar à chegada de pessoas, ou veículos, ou animais estranhos à propriedade onde estão vivendo, muito fazendeiros, donos de chácaras ou sítios, criam gansos com a função de guarda. Segundo os criadores , melhor guarda não existe, são usados também soltos em grandes áreas de pastos ou capins ali eles comem o gramado dispensando as operações de capina, são animais resistentes, praticamente não apresentam problemas de saúde. Podem viver até 15 anos, bem alimentados e recebendo os cuidados de higiene indispensáveis, raramente ficam doentes mas isto não significa que sejam totalmente imunes a algumas doenças. Quando há qualquer problema a ave tem perda de apetite, tristeza, penas arrepiadas, diarréia.

Os filhotes podem ficar sujeitos a infecção das vias respiratórias , cujo sintoma é o corrimento nasal. O tratamento é feito com antibióticos sob a orientação do veterinário. Outro problema que pode surgir na primeira semana de vida é a desidratação e por falta de água ou excesso de calor. Os gansinhos ficam com os olhos secos e a penugem arrepiada, perdem o apetite e em conseqüência perdem peso. Se a causa for o calor, também há alteração no ritmo respiratório. A primeira providência é eliminar-se a causa, depois fornecer soro até o restabelecimento da ave. Outra maneira para evitar doenças é adicionar complexos minerais e vitamínicos na ração fornecida à criação, a cada 3 meses. Fazer a vermifugação das aves na entrada no inverno e na época das chuvas, utilizando algum produto à base de Mebendazol, de acordo com as recomendações do veterinário.

Para quem quer começar uma criação, o primeiro passo é decidir a finalidade da mesma e escolher a raça mais adequada. O ganso Chinês Branco ou Pardo e o ganso Africano são os únicos que possuem uma protuberância na testa, eles servem de guarda, dando alarme sempre que há algo estranho, são também muito utilizados para ornamentação.

O ganso Africano Pardo possui papada típica embaixo do bico, característica que o diferencia do Chinês Pardo, a fêmea bota de 20 a 30 ovos por ano.

O ganso Toulouse é o que mais cresce, podendo chegar a 14 ou 15 kg, mas o peso médio da raça é de 10 kg, com postura média de 30 ovos por ano. É mais usado para corte e venda de plumas, também é utilizado para aproveitamento do fígado para fazer o patê muito famoso em vários países da Europa. No Brasil é mais usado como ornamento.

O ganso do Embdem , todo branco é o mais usado para produção de plumas, serve também para corte. A postura varia de 20 a 30 ovos anualmente.

Ainda existe o chamado ganso comum ou caipira, que é realmente o mais comum. Raça indefinida, resultante de cruzamentos aleatórios , muitas vezes é confundido com o Toulouse, pela semelhança de cor, ambos são cinza, só que o comum ou caipira é bem menor e não chega a pesar mais de 5 kgs, a gansa bota cerca de 20 ovos por ano e é boa chocadeira, o que não acontece com as fêmeas de raça pura.

Além dessas raças que são as mais conhecidas, existem outras variedades que são exóticas e raras no Brasil, tais como o ganso Sebastopool ou Frizado, cuja característica são as penas cacheadas e longas das asas,chegando a arrastarem no chão.

O ganso Egípcio , o Canadense, o Havaiano e Magpie Goose são os mais raros.

Enfeita, vigia e vira patê.

O ganso dá uma excelente carne, competindo com a de peru, nos banquetes europeus.

Dá o fígado , com que se faz o mais nobre patê francês.

Dá ainda as plumas para confecção de travesseiros, edredons e casacos usados em vários países que têm a prática de esportes na neve.

No Brasil porém, poucas pessoas criam gansos com esses objetivos. A maioria das criações se destina à venda de aves vivas que são usados como guardiões, espantando cobras, capinando gramados, cafezais e pomares ou ainda para cruzamentos e melhoria de plantéis.

Infelizmente no Brasil, não se tem conhecimento de nenhum método desenvolvido para as condições brasileiras. Na Europa existem institutos de pesquisa especializados em gansos.

No Brasil, por enquanto, o que existe é a experiência isolada de alguns criadores dedicados.

fonte: Associação Brasileira dos Criadores de Aves

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